A estrela

Arcano 17, sucessora da torre. Essencialmente feminina.

 Na eterna dança do cosmos, quando o sol se vai, o momento que carrega um dos dois medos primordiais do ser-humano só não nos leva novamente ao caos primordial  pela sustentação de duas forças: a lua e as estrelas. a lua sempre está conosco mesmo que não a vejamos, ela nasce como o anteposto do sol, a parte naturalmente contrária necessária para que a dança continue acontecendo. mas e as estrelas? distantes, sempre em grupos pré definidos, brilhantes e quase inexistentes na sua existência.

  Uma  mulher pelada manipula duas jarras d’água, uma na terra e outra na água. não é lindo? o sentimento no sentimento, fluindo ao seu bel prazer, criando ondas, marés e tsunamis e o sentimento na terra, nutrindo, fazendo crescer, alimentando todos os seres. tudo isso gerido por uma mulher na flor de sua natureza, sem amarras, sem sentimentos traduzidos por meio de tecido, porque ela é o próprio sentimento. Ela é a própria esperança, o equilíbrio que se acha em meio ao caos dos opostos. Não a solução, mas um cerne, um lugar em que se pode estar enquanto a vida que nos prova again e again e again pelas inúmeras quedas de torres, acontece.

  Mas não se esqueça, ela não está aqui. aqui  temos apenas o sol que rege, protege e ilumina e a lua que encanta, esconde e acolhe. Mas o que seria a estrela se não, outro sol um pouquinho mais distante? mania boba do ser humano de sempre procurar longe o que já se tem perto ner. mas é isso, enquanto não percebemos a beleza diária da dança cósmica que nos rege sempre precisaremos olhar, buscar ou sermos as estrelas com suas amigas, distantes e brilhantes, que atravessam a escuridão quase que como um novo sol.

P.S: é realmente uma pena não conseguimos ver o céu estrelado na cidade grande.