o taoismo tem pra mim o que é uma das ideias mais legais do todo, o tao. um caminho infinito em que a recompensa é o próprio caminho. e nesse caminhar só uma coisa importa, o movimento. para garantir isso tudo o que é criado dentro dele é naturalmente dividido, existe uma parte, e uma contra parte, todas as verdades são meias verdades. o movimento é o fluir, é o escape do caos dual, mas lógico, toda parte tem uma contra parte. o movimento exige descanso, assim como descanso exige o movimento, qualquer parte levada ao extremo gera a degeneração, que é o ato de consumir-se até a extinção. mas se olharmos um pouco mais longe podemos ver que a dança dos opostos,é, um novo movimento, a química nos fala que nada se constroi e nada se destroi, tudo se transforma, a biologia que o que não é usado se degenera e o que é usado se desenvolve. é isso, uma espiral de transformações geradas pelo próprio movimento. fluxo, fluir a única coisa que realmente se faz, regidos pelo tempo espaço, que provoca um fenômeno interessante, a experiência e a memória, que dão sentindo ao se mover, a neurociência fala alguma coisa sobre o cerebro ser incapaz de lembrar de um acontecimento de forma fidedigna, isso por que a realidade é espelhada e tudo o que se experiencia só pode ser experienciado pelo seu reflexo.

- TING/O CALDEIRÃO
Acima LI, O ADERIR, FOGO.
Abaixo SUN, A SUAVIDADE, MADEIRA.
As linhas que compõem este hexagrama formam a imagem do caldeirão;
abaixo estão as pernas sobre as quais está o bojo, em seguida as alças e acima as argolas usadas para carregá-lo. Esta imagem sugere também a idéia da alimentação. O caldeirão de bronze era o utensílio que continha os alimentos cozidos no templo dos ancestrais e nos banquetes. Cabia ao anfitrião servir os alimentos do TING(58) nas tigelas dos convidados.
O hexagrama 48, O POÇO, também simboliza, ainda que num sentido
secundário, a distribuição de alimento, porém, mais para o povo. O Ting, enquanto um utensílio pertencente a uma civilização refinada, sugere o cuidado e a alimentação dos homens capazes, o que resulta em benefício da nação. (Os quatro hexagramas que se referem à alimentação são: 5, 27,48 e 50.)
Este hexagrama e o POÇO são os dois únicos no Livro das Mutações que
representam objetos concretos feitos pelo homem. Mas aqui também a idéia possui ao mesmo tempo uma conotação abstrata. Sun, abaixo, é madeira e vento; Li,acima, é a chama. Reunidos, os trigramas representam a chama alimentada pela madeira e pelo vento, o que também sugere a idéia da preparação de alimentos.
JULGAMENTO
O CALDEIRÃO. Suprema boa fortuna. Sucesso.
O hexagrama O POÇO refere-se aos fundamentos sociais da vida em
comunidade, os quais se assemelham à água que alimenta a madeira. O
CALDEIRÃO representa a superestrutura cultural da sociedade. Aqui, é a madeira que serve de combustível à chama, ao espírito. Tudo o que é visível deve se expandir para além de si mesmo, até penetrar no âmbito do invisível. Desse modo alcança sua verdadeira consagração e clareza, enraizando-se firmemente na ordem cósmica.
Aqui a cultura atinge sua culminância na religião. O Ting serve para a
oferenda de sacrifícios a Deus. Os mais elevados valores terrenos devem ser oferecidos em sacrifício a Deus. Mas o verdadeiro divino não se manifesta separado do humano. A suprema revelação de Deus encontra-se nos profetas e nos santos.
Venerá-los é, na verdade, venerar a Deus. Os desígnios de Deus manifestados através deles devem ser aceitos com humildade. Assim o homem descobre uma luz interior e pode enfim compreender o mundo. Isso traz grande boa fortuna e sucesso.
IMAGEM
O fogo sobre a madeira: a imagem do CALDEIRÃO.
Assim o homem superior, corrigindo sua posição,
consolida seu destino.
O destino do fogo depende da madeira; enquanto houver madeira abaixo, o fogo arderá acima. O mesmo ocorre na vida humana. No homem também há um destino que dá força à sua vida e que se consolida quando o homem consegue posicionar corretamente a vida e o destino, harmonizando-os. Essas palavras contêm referências ao cultivo da vida tal como era transmitido pela tradição oral dos ensinamentos secretos do yoga(59) chinês.
58 O “Ting” é um utensílio típico chinês, diferindo em forma e função de um caldeirão (o correspondente ao termo “Tiegel”, usado por Wilhelm). Por isso, procurou-se manter, sempre que possível, o termo chinês. (Nota da tradução brasileira.)
59 O termo yoga aqui é usado por Wilhelm no sentido estrito de sua etimologia, não devendo ser confundido com as várias correntes do pensamento indiano que são habitualmente designadas por esse mesmo termo. “Yoga” vem da raiz sânscrita “yug”, que se referia â canga usada para juntar a parelha de bois. “Yoga”, portanto, significa um recurso ou meio de união, no caso a união do consciente com o inconsciente pretendida pelo esoterismo chinês. (Nota da tradução brasileira.)
I CHING – O LIVRO DAS MUTAÇÕES – Prefácio de Carl Gustav Jung