Hoje percebi que o outono começou semana passada e eu nem falei nada. :/
Outono é tempo de renovação, tempo em que as aparências não importam mais, deixemos elas para a primavera. Aqui todos ficam nus, sentido a terra, a nutrição, se fortalecendo para a estação mais impiedosa, o inverno.
No cerrado é tempo de força, tempo de honra as raízes, expansão, a savana Brasileira como dizem. A terra vermelha ganha um tom ainda mais árido, cruel, quase o vermelho do sangue mas que ainda se vê o laranja, ver-se os resquícios de vida trazidos pela estação da abundância -que agora se despede, tempestiva e maravilhosamente dramática, como sua chegada e toda sua estádia- se retorcem implorando por uma água que não vem, aceitando assim seu destino e voltando ao ciclo onde serão guardados até o próximo tempo de abundância.
Aqueles que as cascas são tão fortes quanto as das árvores, prosperam no árido, na falta, quase como se não estivessem existindo, mas estão, e não qualquer existência a sua existência, a existência árida e cruel, mas que exatamente por isso tem beleza em qualquer relva flutuando em qualquer dente de leão segundo antes de ser pisoteado por alguém.
Sucessor do verão, antecessor do inverno, um design muito bem pensado e, lindo.
Tempo de trabalho, de preparação, de reserva e de segurança, tempo de descanso também, de pouca demanda, de simplicidade, mas acima de tudo, tempo de fé, fé de que há água sob e sobre todos, e que ela é abundante, mas deve ser esperada a seu tempo.